Por Caio Cavalcanti
Maxxxine (2024) é o novo filme da franquia X do diretor Ti West, produzido pela A24. Acompanhamos a história de Maxine Minx (Mia Goth), uma relevante atriz pornográfica que deseja dar um passo adiante em sua carreira adentrando a indústria hollywoodiana. Não se pode diminuir a importância de uma franquia que no seu terceiro filme ainda leva um grande público ao cinema. Ainda assim, o terceiro filme de uma franquia. De uma franquia iniciada no ano de 2020, com X – A Marca da Morte.
O filme é conduzido por Mia Goth. Não só o filme, Goth é a cara da franquia. Inclusive, na sessão, escutei pessoas comentando que assistiam ao filme por sua causa. Ela é uma das poucas atrizes que consegue manter o sistema de estrelato dos tempos áureos de Hollywood através da marca construída ao redor de sua persona. No fim do dia, Goth alcançou o estrelato que a personagem que a ascendeu tanto deseja ao longo da franquia.
Em Maxxxine, o terror, gênero historicamente marginalizado pela indústria, é representado como meio de ascensão para a personagem. Maxine realiza uma audição para a sequência de um bem sucedido filme de terror oitentista, que será dirigida pela cineasta Elizabeth Decker (Elizabeth Debicki), diretora contratada que deseja provar seu status, questionado, de artista, sua qualidade autoral em meio a indústria. O gênero é uma questão fortemente abordada ao longo da obra. Ti West referencia fortemente a história e a estética do mesmo ao longo da narrativa, ainda assim não consegue fazer com que essas supostas referências sejam ao além de meras locações, como no caso de Psicose que obtém grande destaque na metragem, a troco de nada.
O que mais me interessou no filme foi a relação entre as personagens da atriz em ascensão e da diretora, e a ironia com a qual são apresentadas. Ti West, um diretor provando sua suposta autoria em meio a indústria. Mia Goth, atriz em ascensão que se utiliza do terror, ou daquilo que supõe-se ser terror pelo marketing industrial, como vemos no caso de Pearl (2022) e Maxxxine que pendem muito mais ao suspense, para ascender em Hollywood. West parece quase que representar a si mesmo, ou o que gostaria de ser, na narrativa através da figura de Decker. A diretora, dentro do filme, consegue enfrentar a indústria, ela tem um grande sucesso com seu filme, banca a escolha de Maxine Minx para o papel e a lança ao estrelato mundial. Isso que Ti West gostaria de ser ou pensa que é: um diretor que sobrepuja a indústria. Ainda assim, não há uma viva alma que pense em Maxxxine como o terceiro filme da franquia de Ti West, mas sim, como o novo filme da A24 estrelado por Mia Goth. Este e outros exemplos, como o medo que o diretor apresenta de seu filme ser um terror explícito, com planos mais gráficos retidos a alguns segundos em tela, diferentemente de X – A Marca da Morte, que, com uma produção mais independente, conseguiu fazer mais jus ao gênero do terror, provam a derrota do diretor.